Pão & Prosa

O pão que não pode faltar e a prosa gostosa de sempre!

CASO ISABELA

Por Gil Nascimento

Esses dias estava conversando com algumas mentes esclarecidas e ouvi algo que me deixou curioso “o caso Isabela, só teve o desfecho que teve, graças a mídia, principalmente a globo, crimes tão horrendos e covarde acontecem todos os dias e devido a não ter tanta evidência, caem no comodismo cotidiano.” Palavras de um professor universitário que em nenhum momento fez referência ao julgamento ou a pena atribuída aos réus, apenas se posicionou em relação a importância midiatica do fato e a cobertura como foi feita.

Caravanas viajaram do interior do país para acompanhar da porta do Fórum de Santana toda a celeuma do julgamento, cartazes e fogos de artificio brindavam a “festa” do lado de fora, enquanto lá dentro o processo corria a clima de cinema. Os advogados tinham dificuldade para entrar e sair do fórum, eram perseguidos na rua e o de defesa chegou a relatar que teria sido agredido em uma de suas passagens pela porta do fórum.

Será que o brasileiro é tão fã de justiça assim, que lotaria os fóruns do Brasil cobrando sentenças severas para todos os crimes? Não sei, mas todos os dias, nos fóruns por ai a fora, criminosos são ouvidos, julgados e sentenciados por crimes de igual ou maior crueldade e no entanto não estampam jornais, não se tornam matéria de documentários, não recebem cobertura ao vivo de grandes emissoras. Será que o brasileiro é como um poeta um dia disse “Gado tangido pelo poder da mídia?” Será que para onde a mídia aponta, todos os olhos se voltam, será que Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá teriam o mesmo fim se o fato não tivesse ganho tamanha dimensão? Será que o julgamento poderia Ter tido final diferente com tamanha comoção popular desde a época do fato? A verdade é que a família de Isabela tem que agradecer muito a participação da mídia na cobertura desse caso, sem ela o final desse julgamento poderia Ter sido muito diferente, devemos entender que foi um crime no qual a promotora trabalhou com provas técnicas, provas essas que não apontavam autoria e sim presunções, pressupunha asfixia, mas não era capaz de provar que foi o pai ou a madrasta, pressupunha que Isabela foi jogada, mas era incapaz de dizer quem o fez, um julgamento com esses requisitos é impossível atribuir aos réus penas tão severas, uma vez que não há confissão de crime, testemunhas oculares, outro fato interessante, inicialmente a policia por achar que teria sido um crime comum não agiu de forma zelosa com o ambiente do delito, teria peritos manuseados pertences da casa sem o devido cuidado de usar luvas, os peritos em um primeiro momento não teriam examinado a casa inteira, deixando passar pontos importantes, teriam isolado o apartamento de forma desleixada, só mudando esse comportamento quando a situação ganhou cenário nacional, ai, retornaram ao imóvel, fizeram nova perícia, novas coletas e novas conjecturas. Mas uma vez esse post não tem por intenção inocentar o casal, muito menos discutir culpabilidade, estamos aqui discutindo o que seria desse caso se a mídia não tivesse se envolvido de forma tão impactante?

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